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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

#Fechadoscontraopreconceito

Foto: Globoesporte.com

Não dá para negar que o futebol é um esporte democrático. Mas também não dá para negar que é o esporte mais desigual. Democrático porque dá para jogar em qualquer lugar, sem uniforme, até mesmo improvisando uma bola. Desigual porque de um lado há uma massa de fanáticos induzidos que se preciso for dão a vida pelo clube do coração (já falamos isso no post “Sobre fanatismo e chuteiras”, lembram?) e do outro, engravatados, cartolas, patrocinadores e jogadores que só enriquecem com a “paixão nacional”. Tem alguma coisa errada nessa conta.

Dentro dessa massa fanática há jovens, velhos, pobres, ricos, mulheres, homens, heterossexuais, homossexuais, gordos, magros, negros e brancos. No momento em que a bola rola todas essas pessoas tão diferentes entre si se misturam e compartilham um sentimento. No dia a dia há discriminação por classe, há misoginia, há homofobia, há todos os tipos de preconceito imagináveis. Mas quando o juiz apita o início do jogo o rico abraça o pobre, o branco abraça o preto e até as mulheres são bem recebidas nos estádios.

Mas o preconceito continua lá. Ele não é apagado e aparece claramente nas provocações entre as torcidas, por exemplo. Isso já aconteceu no vôlei, com o jogador Michael do Cruzeiro, numa partida contra o Vôlei Futuro. Ele foi hostilizado pela torcida adversária pelo simples fato de ser homossexual. E na última quarta-feira um ato grotesco de preconceito aconteceu novamente. Dessa vez nos gramados, de novo com o Cruzeiro. Na partida entre Real Garcilaso e Cruzeiro no Peru, o volante Tinga foi humilhado pelos torcedores rivais. Toda vez que ele tocava na bola, os torcedores imitavam macacos.

Como a maioria dos jogadores de futebol no Brasil, Tinga é negro. Veio de uma família muito humilde de Porto Alegre. Foi criado pela mãe faxineira junto com seus quatro irmãos. História que se mistura com a da maioria dos brasileiros. Quando Tinga se tornou jogador profissional, a vida começou a ser mais suave com essa família. Mas ele nunca vai deixar de ser preto. Ele nunca vai poder apagar o passado sofrido. 

A questão negra no Brasil é muito complicada. Os negros são a maioria no nosso país e são os que mais sofrem. Os negros são 70% das vítimas de assassinatos no Brasil. A remuneração dos negros corresponde a 63,9% da remuneração dos brancos. Dos negros no mercado de trabalho, apenas 11,8% tem ensino superior. Quem tem a pele escura ocupa as profissões mais precarizadas e isso já vem desde a formação cultural do Brasil. Por todos esses dados (para quem gosta mais de números do que de fatos) dá pra ver quem está em desvantagem no nosso país. Não é só o racismo que tem que deixar de existir. É a desigualdade. É esse abismo absurdo que acontece entre classes e cores.

Nessas horas é que dá para explicar para os desavisados que as minorias não querem benefícios. Querem igualdade. O Tinga quer jogar bola sem ninguém ficar falando sobre a cor da sua pele. O gay quer escolher com quem ele quer se relacionar sem ninguém ficar se intrometendo. A mulher quer ir trabalhar sem ser assediada no metrô.

 Há muita desigualdade, é só olhar ao redor. Enquanto não lutarmos contra os preconceitos a vida será cada vez mais dura, cruel e desigual. Estamos #fechadoscomotinga. Mas também deveríamos estar #fechadoscontraoracismo, #fechadoscontraahomofobia, #fechadoscontraamisoginia e por aí vai. Pois como o Tinga disse lindamente: “Eu trocaria todos os meus títulos por uma igualdade em todas as áreas, em todas as classes”.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

A nada rentável supremacia mineira

Atlético/MG campeão da Libertadores. Cruzeiro campeão do Brasileirão. Tem alguma coisa errada aí, não? Como deixaram dois times mineiros que não têm a mídia e a receita de outros grandes dominarem o cenário futebolístico do ano de 2013? Saiu totalmente dos planos da CBF e da Globo, que como sempre planejavam um ano com vencedores do eixo Rio-São Paulo.

                                                                   Charge: Dum Ilustrador

O que deu errado?

Vamos tentar entender o que foi esse ano para o futebol e todo o dinheiro envolvido nisso.

Desde a temporada de 2012 os clubes passaram a negociar individualmente suas cotas de transmissão na TV (leia-se – quanto a Globo paga para cada time pela exibição de seus jogos). O valor é estabelecido de acordo com os critérios de cada time; o que se acha bonzão pede mais, os mais “humildes” pedem menos e a Globo analisa se vale ou não. No fim das contas, todo ano Corinthians e Flamengo estão na lista dos mais bem pagos, com valores que são quase o dobro de times de expressão, como Botafogo, Fluminense e os próprios Cruzeiro e Atlético/MG. Essas cifras das duas maiores torcidas do país giram em torno de 100 a 150 milhões e o direito a transmitir mais e mais jogos de Corinthians e Flamengo.

Veja o gráfico com as cotas de TV e publicidade - Fonte: Estadão

Corinthians e Flamengo são os clubes com as maiores torcidas do Brasil, têm torcedores de Norte a Sul do país. Por que será? Será que é porque são os times que mais têm jogos transmitidos pela Globo? Será que é porque a Globo é a emissora que domina os lares das famílias? Tudo isso cria um ciclo, já que quanto mais jogos desses clubes a Globo transmite, mais renda eles têm, mais investimento conseguem fazer e aparecem cada vez mais. O bom futebol é uma outra história. Em 2012 o Corinthians até fez jus ao investimento, mas em 2013 tanto o time paulista quanto o carioca estão decepcionando patrocinadores e torcedores, com atuações medianas e sem nenhuma expressão.

O meia Alex, sem papas na língua, disse em entrevista recente que "quem cuida do futebol brasileiro é a Globo (...) A CBF é apenas uma sala de reunião”. E é isso mesmo que acontece na realidade. O calendário esportivo é marcado de acordo com a novela da Globo. Os jogos de quarta-feira começam no absurdo horário de 21h50 e terminam por volta da meia noite, quando já não tem mais transporte público e o torcedor (que antes de ser torcedor é um proletário) tem que se virar para chegar em casa e ainda acordar cedo no dia seguinte.

Mas por que estamos falando sobre isso?


O ano de 2013 foi uma grande decepção para a Globo e para a CBF. Os times mineiros tiveram um ano irretocável, com atuações espetaculares nos campeonatos que venceram. O Galo na Libertadores fez jogos emocionantes, reverteu resultados improváveis e brigou até o último segundo pelo título. Já o Cruzeiro fez um campeonato impecável de ponta a ponta, com toda a lucidez de um campeão, a competência de um ataque preciso e um time bem montado.

Minas Gerais está em festa. Os times do estado são os melhores do Brasil, sem dúvida. Em elenco, em vontade, em competência. Mas o que vimos quando o Cruzeiro foi campeão do Brasileiro? Uma matéria de 2 minutos no Fantástico? Notinhas nos jornais da semana? Estou esperando como vai ser no Mundial com o Atlético. Com certeza nada comparado ao que foi com o Corinthians no ano passado, em que a Globo literalmente parou, seja para transmitir os jogos ou fazer uma cobertura exaustiva, com reportagens a todo minuto e em todos os jornais.

É uma balança que está pendendo para um lado só. E não venham falar que é porque “Corinthians e Flamengo são os maiores times do país”. Em números, é claro que são, mas isso foi construído. E foi construído por uma emissora que gira no eixo Rio-SP não só no futebol, mas em todos os outros aspectos, ignorando a pluralidade do Brasil e as diferentes e diversas regiões do nosso país. Enquanto isso, os times mineiros estão reencontrando o caminho dos títulos nacionais e estão na briga para conquistar o lugar que merecem, junto com “os grandes”.

domingo, 24 de junho de 2012

Um jogo de oportunidades

Na noite de sábado o Cruzeiro venceu com V maiúsculo o Vasco, em São Januário. Sem Copa do Brasil, sem Libertadores. Os times estavam ali, jogando o Brasileirão, brigando pela ponta da tabela.

Os dois melhores times da competição (pelo menos de acordo com a classificação) até então estavam invictos; o Vasco vinha de quatro vitórias e um empate, enquanto o Cruzeiro vinha de três vitórias e dois empates. O time mineiro fez um jogo inteligente, venceu por 3 a 1 e conseguiu sair da casa do adversário somando três pontos e assumindo a lideranção do Campeonato Brasileiro.

 Cruzeiro assumiu a ponta depois da vitória sobre o Vasco - Foto: Lancepress


O que deu errado?

O Cruzeiro, claro, começou na retranca. Ok, é a forma do Roth montar o time. Mas ontem a equipe foi esperta e aproveitou todas as brechas do adversário. O começo da partida não foi muito bom, com o time mineiro fechado e o Vasco sem conseguir avançar. O primeiro tempo, aliás, foi mais do Vasco, que chegou mais, tentou mais. Porém, devagar, o time celeste conseguiu encontrar o caminho do gol. E o grande "culpado" por isso foi Montillo. O atleta sabe como ninguém ditar o ritmo da partida e foi o que ele fez neste sábado. Marcou um belo gol e esteve presente e apresentando perigo durante todo o jogo.

No Vasco, o primeiro gol do adversário foi aquela verdadeira lambança. Prass e Eder Luiz se enrolaram e acabaram permitindo que o Cruzeiro marcasse. Eder Luiz saiu vaiado pela torcida no intervalo, até porque, além desse lance do gol, ele não conseguiu em nada ajudar a equipe cruzmaltina.

Apesar da falha, eu gosto do Prass. Acho ele um bom goleiro, bem posicionado, sabe sair do gol. Mas ontem ele estava num dia sem a mínima inspiração. Errou na reposição de bola que resultou no primeiro gol e estava muito mal colocado no gol de Wellington Paulista. Foi um gol de cobertura do camisa nove celeste, ok. Mas tem gols de cobertura e gols de cobertura, esse foi um gol que dava para pegar. Mas não estou tirando nenhum mérito do Prass. Apenas o dia de ontem não foi lá muito feliz, acredito que nas próximas partidas ele já vai estar bem novamente.

 Prass não estava em uma noite muito feliz contra o Cruzeiro - Foto: Daniel Carvalho

Falando em Wellington Paulista, gostei bastante do ataque cruzeirense. O camisa 9 foi bem, soube se movimentar em campo. No seu lugar entrou Anselmo Ramon que é um jogador ok, mas vira e mexe consegue marcar o seu golzinho em jogos importantes como esse contra o Vasco.

Vasco x Cruzeiro esteve longe de ser um jogo tecnicamente bom. Mas foi um jogo inesperado, com uma boa postura da equipe visitante, que soube aproveitar as brechas para sair de São Januário com a vitória. Não são os dois melhores elencos do Brasileirão, pelo menos na minha opinião. Mas, estão se dedicando à competição, conseguindo bons resultados e estão na parte de cima da tabela. Bom para os torcedores de Vasco e Cruzeiro, que respectivamente desde 2000 e 2003 não veem seu time campeão brasileiro.

domingo, 6 de novembro de 2011

Quando tudo dá errado

Jogadores do Flamengo comemoram vitória - Foto: Site Uol

5 a 1. Mas um 5 a 1 de verdade, com propriedade e tudo mais que se tem direito. Aliás, não tem como um 5 a 1 não ser com propriedade, o placar já diz tudo por si próprio. Do lado rubro negro, festa, comemoração, o retorno à briga pelo título. Do lado celeste, tristeza, decepção, a entrada na zona de rebaixamento, algo tão novo na vida do cruzeirense.

Flamengo e Cruzeiro foi um jogo de um time só. Os atletas cariocas brilharam, enquanto no Cruzeiro, apenas um argentino conseguiu fazer alguma coisa por um time que parece que não tem como melhorar.

O que deu errado?

O Cruzeiro está sem rumo, sem um comandante firme, sem um bom direcionamento para deixar essa má fase em que se encontra. A situação já vinha ruim desde o início da competição. Mas um ruim ok, um ruim na zona de classificação para a Sul Americana. Agora o ruim passou a ser desesperador. O ruim quer dizer zona de rebaixamento. E estar numa situação dessas, a essa altura do campeonato (literalmente!) é bastante complicado.

Apenas Montillo está presente no time do Cruzeiro. É sempre ele. Quando ganha, quando perde, é o único que tenta fazer alguma coisa. Que me desculpem os cruzeirenses que acreditam que mais alguém fez algo pelo time. Na minha opinião, só o argentino está salvando ali. Foi ele quem começou a jogada do gol (único) celeste. Ele quem criou oportunidades e sofreu um pênalti que poderia mudar a história da partida.

Montillo foi substituído com dores na coxa - Foto: Site Terra

Mas quando a fase é ruim não tem jeito, né? Victorino foi quem bateu a penalidade. Se acertasse o placar mudaria para 2 a 0, em plena casa do adversário. Mas não seria tão fácil assim. O uruguaio perdeu a chance de ampliar e desperdiçou a cobrança do pênalti.

Eu seria injusta se culpasse apenas Victorino pela derrota. Cribari foi mal, Anselmo Ramon foi mal, Farías foi mal. O time não está legal. E olha, não é um time ruim. Ok, está longe de ser um timaço. Mas não é ruim. O erro começou no início do ano, com a derrota na Libertadores. Ali começou a tudo dar errado.

Para azar celeste, o Flamengo estava numa tarde mais que inspirada. Até Victorino perder o pênalti, a partida estava de igual para igual. Mas depois disso, a equipe carioca passou a dominar o jogo. A volta do segundo tempo então foi avassaladora. Três gols num intervalo de 12 minutos. Isso demonstra que o Flamengo não está morto, apesar da enorme instabilidade do time, que ora vai muito bem, ora vai muito mal.

Thiago Neves brilhou. Fez três gols e agitou a torcida que estava acompanhando o jogo. Mostrou que tem mais futebol do que muitos pensam e que pode sim ser estrela quando Ronaldinho Gaúcho não está lá muito bem em campo.

Thiago Neves brilhou; R10 esteve apagado durante a partida - Foto: Vipcomm

Outro que se redimiu foi Deivid. Os flamenguistas não gostam dele, eu sei. Mas hoje ele marcou dois gols e participou ativamente de todo o jogo. Hoje (não sei se vai continuar assim), a torcida no Engenhão aplaudiu o atleta, que retribuiu à altura mostrando um bom futebol.

Enquanto o Flamengo volta à briga pelo título, o Cruzeiro trava uma briga ainda mais difícil. Escapar do rebaixamento é muito complicado, porque a auto estima da equipe fica baixa e cada jogo perdido afunda ainda mais o time (menos o Galo, que está acostumado e sempre briga para sair dali). Eu não consigo visualizar o que deve ser feito no time celeste. Sinceramente, não sei. Mas o que tiver de ser feito, tem que ser logo, porque o torcedor não quer que seu time, pela primeira vez na história, caia para a Série B e viva uma realidade tão diferente daquela comum à Raposa.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Montillo 2, Atlético 1

O clássico mineiro apenas confirmou a má fase que vive o Atlético-MG. O alvinegro jogou melhor durante toda a partida, mas não souber ser eficiente e deixou o Cruzeiro sair da Arena do Jacaré com os três pontos. O time de Cuca não aproveitou o fato de ter torcida única e errou muitos chutes, ou melhor, criou de um jeito estranho e sem nenhuma objetividade.

Atlético e Cruzeiro na Arena do Jacaré - Foto: Agência Lance

O Cruzeiro, que vive uma situação mais tranquila, foi espertinho e fez o que tinha de fazer. Na verdade quem fez mesmo foi o Montillo, que é decisivo, tem visão e sabe desequilibrar. A maneira do time de Joel Santana jogar não está agradando em nada o torcedor celeste, que já pede pela saída do treinador. Mas é inegável que nos momentos decisivos o time do Joel sabe que o que importa é a vitória.

O que deu errado?

A fase ruim do Atlético parece que nunca acaba. É uma crise sem precedentes e aparentemente sem fim. Algo deve ser feito, mas o que eu não sei. Jogadores afastados, atletas recém contratados que jogam sem treino, um presidente a beira de um ataque de nervos. Falta uma unidade ao time do Galo, falta a equipe ter a sua cara, o seu estilo.

Além disso, ainda falta habilidade em campo. Eron foi uma negação durante todo o primeiro tempo. Não conseguiu fazer nada direito, nem marcar, nem apoiar. Tanto que foi substituído no intervalo por Neto Berola. Richarlyson também esteve mal. Não conseguiu marcar, fez muita coisa errada e deu um passe errado que resultou no primeiro gol de Montillo. Aliás, como o Galo não dá sorte no gol. Impressionante como a meta avinegra nunca está segura. O garoto Renan Ribeiro deu uma bela falhada no segundo gol de Montillo.

Filipe Souto marcou um belo gol - Foto: Site Terra

Não posso deixar de falar do Filipe Souto. Que foguete, que golaço. Mas não foi o suficiente para o Atlético vencer. Sob o comando de Cuca são sete derrotas em sete jogos. Mas a culpa definitivamente não é do Cuca, que é um ótimo treinador e já chegou com o barco afundando. Uma pena um técnico de qualidade ter que passar por uma situação como essa.

No Cruzeiro, o time jogou mal, estranho, retrancado. Foi, na maior parte do jogo dominado pelo Atlético, mas soube aproveitar as chances. Na verdade, Montillo soube aproveitar as chances. É impressionante como o argentino é decisivo! Ele sempre desequilibra, sempre dá um jeitinho de deixar o dele. Vive uma ótima fase, que alias, nos últimos tempos tem salvado o Cruzeiro em várias partidas.

Jogadores comemoram gol de Montillo - Foto: Agência Lance

A torcida já pede a saída de Joel Santana. Mesmo com a vitória, os torcedores estão impacientes, querendo ver o time jogando melhor, mais bonito. O estilo do Joel é mesmo polêmico, é um jogo de resultados. Com a vitória de domingo, o Cruzeiro subiu quatro posições e já ocupa o sétimo lugar. Enquanto isso, o Atlético caiu para a vice-lanterna e faz companhia para o América lá embaixo na tabela. Para o Galo não ser rebaixado ele tem que fazer 30 pontos no returno, o que quer dizer o dobro do que ele fez no turno. A hora agora é de virar a página e começar de novo, pensando, novamente, em lutar contra o rebaixamento.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Gol perdido, vitória perdida

Depois de um período sem postar, voltei para falarmos de Brasileirão. Já estamos na segunda rodada e esse será meu primeiro post sobre a competição nacional desse ano.

Para começar bem, o jogo escolhido foi Cruzeiro e Palmeiras.

Confesso que antes da partida eu acreditava na vitória celeste. Tudo bem, alguns desfalques, mas o Cruzeiro na Arena do Jacaré costuma ser um time bastante forte e com vontade de vencer. Mas meu palpite foi equivocado. Aliás, parte do meu palpite. Porque o time mineiro correu atrás, teve várias chances de gol (e que chances), brigou bastante, mas ficou apenas no empate.

O jogo na Arena do Jacaré terminou em 1 a 1 - Foto: Washington Alves

Definitivamente não foi um bom placar para o Cruzeiro, que foi superior todo o jogo. Mas o Palmeiras fez o que devia, segurou bem o time que jogava em casa, arrancou um empate e voltou para São Paulo com um pontinho.

O que deu errado?

Falta de sorte. A bola estava naqueles dias que não entrava de jeito nenhum. O Cruzeiro foi para cima, tentou, arriscou, mas a danada não queria entrar mesmo. O Palmeiras teve uns dois ou três chutes a gol e acertou um. O Cruzeiro teve vários e só acertou um. E a tentativa de jogar com três atacantes não rendeu muitos frutos, mas ao mesmo tempo não fragilizou a defesa do time de Minas.

Mas o que deu errado mesmo foi o lance incrível de Anselmo Ramon. Eu fico com um pouco de pena de cornetar jogadores estreantes, mas isso eu não poderia deixar passar, não é mesmo? O que aconteceu foi o seguinte: Wallyson fez uma bela jogada e deu um passe para Anselmo Ramon, que fez seu primeiro jogo pela equipe principal do Cruzeiro. O atacante ficou cara a cara com o gol, já que Wallyson conseguiu tirar Marcão da jogada. E aí, o que ele fez? Se enrolou, não conseguiu dominar e a bola saiu pela linha de fundo. Aquele típico lance “até minha vó faria esse gol”, sabe? Uma vergonha para um atacante. Mas um tempinho depois ele se redimiu um pouco com a torcida celeste e deixou o seu gol (mas esse, depois de um escanteio cobrado por Montillo e da bola ser desviada, se ele não fizesse também, nunca mais ia ver a cor da camisa do Cruzeiro).

Anselmo Ramom comemora gol - Foto: VIPCOMM

Marcos. Ah, o Marcos. Depois da goleada por 6 a 0 para o Coritiba, o goleiro do Verdão se mostrou envergonhado pelos gols tomados. Mas para que vergonha, se o Marcos mesmo aos 37 anos é um dos melhores goleiros em atividade? Muitos vão discordar de mim, mas eu sou mesmo fã do palmeirense. Às vezes ele não está muito bem, mas em jogos inspirados ele fecha o gol e só entra o que for mesmo impossível para o goleiro. O empate de ontem foi grande parte por mérito do Marcão, que fechou o gol.

Luan e Marcos Assunção fazem uma boa dupla. E ontem mostraram isso no gol do Palmeiras. Depois de um contra-ataque de Marcos Assunção e um belo passe, Luan nem dominou a bola, já chutou direto para o gol e abriu o marcador: 1 a 0 para o Palmeiras.

Luan foi quem marcou para o Verdão - Foto: Futura Press

O Cruzeiro até tentou pressionar, mas faltou o principal: eficiência nas finalizações. Eu disse ali em cima que foi um dia de falta de sorte. E foi mesmo. Mas mais do que sorte, está faltando acertar melhor o pé, ajustar a pontaria, porque um time que está planejando ser campeão do Brasileiro não pode perder gols como ontem. Enquanto isso o Palmeiras está mostrando que está construindo um time forte, complicado de ser batido.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

A vantagem agora é do Galo

Atlético e Cruzeiro. Cruzeiro e Atlético. Uma rivalidade sem fim, o ápice do que podemos chamar de arquirrivais. Aqui na minha terrinha, dia de jogo entre os dois maiores de Minas é um dia tenso, de provocações e, principalmente, de muita expectativa. E ontem não foi diferente.

Primeiro jogo da final do Mineiro, o Galo recebeu a Raposa na Arena do Jacaré com a torcida toda de preto e branco. Todos já esperavam um jogo difícil, e com a eliminação precoce do Cruzeiro da Libertadores o jogo se tornaria ainda mais complicado. Mas, na prática, foi um jogo bastante claro. Um Atlético-MG bem montado pelo Dorival (que aliás, faz milagres com o elenco que tem em mãos), com vontade de vencer a partida com a torcida favorável e correndo atrás do título. Não que o Cruzeiro não tenha corrido atrás do resultado. Mas o time celeste estava muito afobado, querendo vencer de qualquer maneira, querendo apagar o vexame da quarta-feira.

Jogo de domingo só teve a presença da torcida alvinegra - Foto: Lancenet

Para um primeiro jogo da final foi tudo nos conformes. Já era de se esperar o Galo mais firme no ataque. No início do jogo, mesmo depois de ter tomado o gol, o Cruzeiro se mostrou mais presente. Mas o Atlético buscou essa diferença na atuação e conseguiu se manter num nível que segurasse a vitória. Mas alguns aspectos deram aquela carinha de final que a gente tanto gosta.

O que deu errado?

O time do Atlético sempre entra nos clássicos jogando pela vida. É muita vontade de vencer, muita garra. E ontem não foi diferente. Mesmo os jogadores que estavam mal não desistiam das bolas e corriam atrás da vitória. E isso parece que sempre prevalece no clássico mineiro. Sempre tenho a sensação de que o Cruzeiro é superior e não dá muita moral para o Estadual, mas por isso entra em campo de maneira displicente e acaba perdendo. O Galo não, prioriza e sempre priorizou o Estadual (muitos vão dizer que é porque essa é a única competição que o time consegue ir bem – tudo bem, mas a equipe tem que fazer bem o que está em seu alcance).

No alvinegro, Mancini estava decidido que seria peça chave da partida. E foi. Fez um gol logo no início (que vai ter gente falando que foi um golaço, mas pra mim foi mesmo falha da defesa cruzeirense que colocou dois na barreira, sendo que um não pulou, e o goleiro Fábio, que nem se mexeu). O jogador também não parou de se movimentar em campo. Mostrou que mesmo com a idade avançada não falta fôlego.

Mancini comemora gol - Foto: Agência Estado

Magno Alves e Neto Berola também estavam bem. Magno Alves teve bons lances, bons passes, tentou encontrar o gol, mas mais importante, deu assistência no gol da vitória, marcado por Patric. Já Neto Berola, que entrou no segundo tempo no lugar de Magno Alves, levou perigo à área cruzeirense. Nada muito significativo, mas durante o tempo que esteve em campo, o Galo passou a pressionar mais e teve mais velocidade no ataque.

Os dois lados estavam mal servidos de lateral-direito. Patric e Pablo não fizeram uma boa partida e complicaram a vida de seus times em vários momentos. Pablo já não rende mais como no início da temporada. Desde que anunciaram a chegada de Vítor o jogador caiu (e muito) de produção. Já Patric conseguiu se redimir. Mesmo não estando bem, marcou o segundo gol do Atlético, o gol da vitória e fez as pazes com a torcida alvinegra.

Já o Cuca me parece afoito em decisões. Porque não começou com Leandro Guerreiro em campo? Principalmente depois do atleta ter jogado muito bem a primeira partida contra o Once Caldas, na Colômbia (no jogo da eliminação o treinador não aproveitou o jogador). Depois da entrada de Guerreiro, a bola não sobrou tanto mais lá atrás e o time ganhou mais segurança.

Eu não canso de falar, juiz que tenta aparecer mais do que jogador sempre acaba em confusão. Ele, sempre ele, Paulo César de Oliveira (já repararam minha birra com ele? Na época que eu era uma torcedora fanática, ele já prejudicou muito o meu time). Depois de uma atuação até boa com o apito em mãos, viu Montillo fazendo uma falta mais dura do que de costume e não teve dúvidas; sacou o cartão vermelho do bolso e tirou o meia e estrela do Cruzeiro da final de domingo que vem. Desde que chegou ao Cruzeiro, em agosto do ano passado, Montillo não havia sido expulso nenhuma única vez. Em 40 jogos. No mínimo injusto colocar o argentino para fora depois do lance em cima do garoto Giovani.

Montillo foi expulso no fim do segundo tempo - Foto: Ramon Bittencourt

Foi um bom jogo, mas as emoções ficaram guardadas para domingo que vem. O Galo tem vantagem, joga por um empate. Para o Cruzeiro, uma vitória simples já garante o título. E para vocês, quem será o campeão Mineiro?

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Quarta-feira de cinzas

Não sei nem por onde começar. Juro. Estou quebrando a cabeça para entender o que deu errado para os times brasileiros ontem na Libertadores, para tentar escolher o que “mais deu errado”. Mas não vai ter jeito de escolher, por isso vou fazer um pouco diferente hoje. Vamos falar sobre “o que deu errado” para Inter, Grêmio, Fluminense e Cruzeiro.

Antes dos jogos começarem eu tinha algumas certezas. A primeira delas era que o Cruzeiro ia ganhar de goleada do Once Caldas. A segunda era que o Inter ia se segurar bem e tinha grandes chances de vencer. E eu também tinha alguns palpites. Esperava um jogo de tirar o fôlego do Flu e esperava também um jogo apático do Grêmio. Bom, fui completamente surpreendida (assim como todos, né?) e presenciei um dia muito estranho para o futebol brasileiro. A última vez que Brasil não avançou nessa fase com pelo menos dois times foi em 94. Desde que eu acompanho a Libertadores o Brasil sempre vai muito bem, obrigada.

Mas, vamos então falar sobre essa noite atípica. Muita coisa deu errado.

O que deu errado?

Internacional

Atual campeão. Jogo em casa contra o Peñarol. Lá no Uruguai 1 a 1. Parecia um jogo fácil. O Inter abriu o placar logo no início, mas perdeu chances preciosas de ampliar. Aí que morou o problema. A postura parecia de “campeão antecipado”, o que é muito perigoso. Na volta do intervalo, aos 15 segundos, o Peñarol empatou e logo em seguida virou. O desespero tomou conta da equipe do Inter. Falcão até tentou forçar o ataque com algumas mudanças, mas o Colorado não conseguiu fazer mais nada depois de levar dois gols. Alguns torcedores estão culpando o novo técnico. Mas eu acho que o deu errado para o Inter ontem foi dentro de campo. A equipe entrou parecendo que tinha uma grande vantagem sobre o time uruguaio, o que não era verdade. Uma pena. Uma festa tão bonita em vermelho e branco no Beira-Rio terminou em uma derrota amarga e deixou o torcedor com a sensação de que o time poderia ter lutado mais.

Inter perdeu em casa para equipe do Peñarol - Foto: site Terra

Grêmio

Esse jogo eu não diria que foi uma surpresa. Surpresa mesmo foi a primeira partida, quando o Grêmio perdeu por 2 a 1 no Olímpico. Depois disso eu já esperava que o time não avançaria, pois a equipe do Universidad Católica quando joga em Santiago é complicadinha. Principalmente com o time brasileiro com sete desfalques. Mas o início do jogo foi quente. O Grêmio foi para cima e começou pressionando. O primeiro tempo foi todo do Tricolor Gaúcho. Douglas foi um guerreiro, tentou marcar seu gol, mas a bola não entrou. No segundo tempo o Grêmio voltou murcho. Com uma postura totalmente diferente, deixou o Universidad começar a dominar o jogo. Renato Gaúcho foi ousado. Trocou Rafael Marques, que é zagueiro e estava com dores musculares, pelo atacante Leandro. Mas, como o esquema passou a ser um 4-3-3 improvisado, a equipe se abriu e no fim do jogo tomou um gol que apenas confirmou a eliminação. Essa eliminação começou na derrota da semana passada e ontem foi apenas consolidada.

Jogadores gremistas lamentam eliminação - Foto: EFE

Fluminense

Todos esperávamos um jogo difícil, principalmente por ser no Defensores del Chaco, mas entrando em campo tendo vencido no Rio por 3 a 1, o Fluminense literalmente deixou escapar a classificação. Não vi o time de guerreiros. Durante os 90 minutos em que o Fluminense esteve em campo contra o Libertad, não fez jus àquele das últimas partidas da Libertadores. Na verdade, no primeiro tempo o Tricolor Carioca até conseguiu segurar bem o adversário, não deu muito espaço, mas ao mesmo tempo não fez uma grande exibição. No segundo tempo aconteceu o pior, a equipe paraguaia fez incríveis 3 a 0 e se classificou para as quartas da competição. Rafael Moura não foi o mesmo de sempre e não estava lutando como de costume. Conca muito apagado, Berna sem muita segurança. Fred, para variar, mais falou do que fez. Arrumou confusão, se machucou. Bola que é bom, não vi jogar. E o Flu (mais uma vez) decepciona na Libertadores.

Nem os dois maiores ídolos conseguiram evitar vexame - Foto: Reuters

Cruzeiro

Essa partida foi a que mais me surpreendeu. Eu tinha certeza que o time celeste iria vencer; a melhor campanha da Libertadores, goleadas de encher os olhos. Eu digo isso porque tenho acompanhado de perto a equipe do Cruzeiro e vejo como o time está entrosado, como estão com vontade de vencer, como não estão priorizando nenhuma competição e valorizando tanto o Mineiro quanto a Libertadores. Estavam, né? Porque o jogo de ontem foi um verdadeiro vexame. A começar pelo Roger que fez duas faltas infantis e foi expulso logo no primeiro tempo. Depois disso a equipe sentiu e não se encontrou. O ataque não funcionou, a defesa até tentou, mas em alguns momentos se enrolaram. O ex-atleticano Rentería deitou e rolou (e os atleticanos adoraram, diga-se de passagem). Para mim o melhor em campo foi Gilberto, que até teve um gol anulado no fim do segundo tempo (mesmo assim o jogador nem foi tão bem - para vocês entenderem o quanto o Cruzeiro jogou mal). Um 2 a 0 vergonhoso dentro da Arena do Jacaré. O cruzeirense não vai esquecer isso tão cedo. Nem o mais pessimista esperava esse resultado.

Equipe decepcionou os torcedores, que esperavam vitória tranquila - Foto: AP

O balanço disso tudo é que essa foi uma noite para os brasileiros esquecerem. Na verdade, os torcedores das equipes rivais gostam de tirar sarro de quem foi eliminado. Mas não podemos esquecer que chegar até essa fase da Libertadores é uma tarefa difícil e para poucos, onde times grandes e consagrados como o Corinthians ficam para trás. Agora nos resta esperar se o Santos vai aguentar a pressão de ser o único brasileiro na competição e seguir bem até a final.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Uma noite estrelada

Hoje o nosso post vai ser especial. Vou falar sobre que deu errado para os nossos hermanos na noite de ontem, mas na verdade quero mesmo é ressaltar o que deu certo para o Cruzeiro. (sou só eu ou vocês também ficam felizes de time brasileiro ganhar de time argentino?? rs)

Vocês assistiram o jogo? Pois eu assisti e dormi com ele na cabeça. Fiquei pensando o que deu tão errado para o Estudiantes, carrasco do Cruzeiro em 2009, ser um time tão mediano na noite de ontem. Ou será que foi o time mineiro que foi bem além da conta?

Jogadores do Cruzeiro comemoram gol contra Estudiantes - Foto: AFP

O que eu sei é que foi um belo 5 a 0, com atuação de gala e aquele gostinho bom de ganhar de argentinos. Os cruzeirenses já devem até ter esquecido a derrota para o arquirrival Atlético no último sábado (será?).
Ontem o time celeste estava uma verdadeira máquina, do início ao fim da partida. Com um minuto de jogo Wallyson já abria o marcador. Depois foi a vez de Roger, seguido por dois de Montillo e mais um de Wallyson no fim. Ufa!

Aliás, posso dizer que o carrasco argentino ontem foi... um próprio argentino! Que ironia do destino.

Fernandez observa comemoração de Montillo - Foto: Terra

O que deu errado?

O que deu errado para o time portenho é que o Cruzeiro entrou armado com um time surpreendente, que nem o torcedor mais otimista esperava isso do Cuca. O técnico, sempre tão correto e nada ousado, trocou o Diego Renan pelo Gilberto, dando uma chance para o Roger atuar no meio. Além disso, deixou Thiago Ribeiro no banco e apostou em Wallyson. Pronto, com 50 segundos de jogo o torcedor percebeu que esse tem que ser o time titular. Ofensivo, corajoso, disposto.

Roger, que vinha enfrentando problemas com Cuca por sempre estar no banco, mostrou que pode sim ser titular e ao sair de campo foi ovacionado pela torcida. Será que a presença da esposa Deborah Secco o inspirou? Além dele teve o Wallyson, destaque no Campeonato Mineiro e que mostrou também que pode sim ser dono da vaga e autor dos gols.

E o Montillo, hein? Que beleza ver ele jogar. Fez dois gols (sendo um incrível pegando de primeira na bola), deu assistência para o gol do Roger e ainda jogou muito durante toda a partida. E pensar que na Argentina o Montillo é um mero desconhecido...

No Estudiantes, Veron (o algoz cruzeirense em 2009) não jogou lá grandes coisas. É que na verdade o time todo ficou surpreso com a força do adversário e não funcionou desde o início do jogo. O zagueiro uruguaio Victorino que estreou no time da casa não deixou muito o ataque argentino funcionar. Eles até foram para cima em alguns momentos, tentaram reagir, mas quando não é para ser não adianta insistir.

Jogadores do Estudiantes após o apito final - Foto: EFE

No fim das contas, o que deu errado para o Estudiantes foi o jogo rápido, técnico e envolvente do Cruzeiro. E o que o torcedor do time mineiro espera é que a atuação de ontem se repita e não se torne apenas um dia inspirado da equipe de Montillo.