segunda-feira, 2 de maio de 2011

E o Palmeiras não consegue vencer o Corinthians...

Não foi muito difícil escolher sobre qual jogo eu iria falar hoje. Final da Taça Rio? Não, até porque eu já tinha avisado no post passado: quem deixa para resolver contra o Flamengo nos pênaltis perde. Um jogo ruim, mas que terminou com aquela emoção que a gente muito gosta, que são os pênaltis. No final, Fla campeão invicto, como não acontecia desde 96. Merecido, mas ok, vamos para o que interessa.

Palmeiras e Corinthians. Minha impressão foi ter assistido dois jogos diferentes. Um primeiro tempo truncado, com muitas faltas, sem muitas finalizações. Um segundo tempo pra frente, com os dois lados querendo vencer.

No fim das contas a disputa foi para os pênaltis (oi? Todo mundo resolveu disputar pênaltis ontem?), cobranças que eu achei que só terminariam hoje de manhã e que deu vitória para o Timão. Foi um jogo bacana de se assistir, teve expulsão, confusão, nervosismo, bem a cara de um clássico.

Willian comemora gol - Foto: AE

O que deu errado?

O Valdívia foi todo errado. Antes do jogo toda aquela polêmica do “chute no ar”. Tudo bem, quer dar chute no ar, dá. Mas Valdívia, dá direito, né?? O jogador foi fazer o polêmico drible e se machucou. Foi substituído e o Palmeiras perdia logo no início o seu maior criador de jogadas.

Juizão querendo ser o destaque também não dá certo. Os corinthianos podem reclamar comigo, mas a entrada do Danilo foi dura? Foi. Mas não para dar vermelho só para ele. E o pezinho levantado do Liedson, não conta? Amarelo para os dois lados resolvia. E antes do jogo mesmo já estava todo aquele burburinho sobre Paulo César de Oliveira ter sido escolhido (dizem as más línguas que não teve sorteio – eu não duvido). Mas também não acho que ele tenha prejudicado muito o Palmeiras. Porém, começar um jogo já com todo esse problema em torno do árbitro já faz os jogadores e comissão técnica ficarem com um pé atrás.

Arbitragem foi cercada de polêmicas - Foto: Site Terra

E esse pé atrás do Felipão veio acompanhado de xingamentos. O treinador não fez bonito (de novo) e foi expulso de campo. Uma vergonha para um treinador tão vencedor como ele. O treinador tem que falar um pouco menos e fazer um pouco mais, porque com um time como o Palmeiras, ele poderia fazer um belo trabalho.

Também não podemos deixar de destacar quem foi bem no Verdão. Kleber, mesmo nervoso, foi brigador, correu atrás do resultado, foi marcado o tempo inteiro, mas conseguiu algumas finalizações. Já o Marcos Assunção, que jogaço ele fez! Cobranças de falta quase perfeitas, passes muito bem calculados, lançamentos detalhados. O cara é uma fera mesmo. E o Palmeiras não renova com ele. O que será que acontece?

Marcos Assunção foi um dos melhores em campo pelo Palmeiras - Foto: Site Uol

No Corinthians, o Tite deu provas que ainda não está entendendo muito bem a equipe que tem nas mãos esse ano. O Timão não é mais empolgante como no ano passado, não é tão envolvente. É simplesmente um time correto. Jogou direitinho, cobrou os pênaltis direitinho, fez tudo direitinho. Nada que empolgasse muito.

Um dos destaques foi Julio César. O goleiro, além de defender o pênalti que deu a vitória ao time do Parque de São Jorge, parou Marcos Assunção e Kleber. Outro que deu muito certo foi Willian. O que dá na cabeça de Tite para começar com Dentinho no time titular e Willian na reserva eu sinceramente não sei. Mas depois que o garoto entrou, o Corinthians virou outro, muito mais ofensivo, mais dinâmico e objetivo. O menino fez o gol do empate e ainda cobrou pênalti, com a cabeça fria foi lá e converteu.

Júlio César comemora defesa de pênalti - Foto: Leo Pinheiro

No mais eu achei que o Palmeiras foi melhor em campo, levando em conta que estava com um a menos desde a metade do primeiro tempo. Mas o Corinthians também foi bem, fez o que tinha de fazer, correu atrás do resultado e levou o jogo para os pênaltis (sorte que não era o Marcos que estava no gol). E decisão nos pênaltis é loteria. E nessa quem ganhou foi o Corinthians, que aliás, não perde para o Palmeiras desde 2009.

Mas, para a decisão contra o Santos, o Corinthians ainda tem que melhorar bastante. Porque com o Ganso voltando a jogar como o melhor do país a situação vai ser bem complicada. Essa final do Paulistão promete...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A 90 minutos do título

Num Fla-Flu com dois times não muito incisivos, não muito consistentes e não muito técnicos eu esperava um jogo bem mais ou menos. Mas, num Fla-Flu sem a maior a estrela e garra sobrando dos dois lados, o que eu vi foi um jogo cheio de emoções. Não foi lá a partida mais técnica, mais futebol-arte e mais certinha de todas as da rodada. Mas com certeza foi a mais emocionante, a que teve mais cara de semifinal (pênaltis sempre dão pinta de decisão para os jogos, né?).

Clima quente no clássic - Foto: Getty Images

O início do jogo foi marcado por muita chuva. Os dois times nervosos e o Fluminense atacando mais. Rafael Moura inspirado, indo pra cima. Mas os refletores do Engenhão apagaram e o jogo ficou paralisado por 20 minutos. O suficiente para o Flu voltar decidido a abrir o marcador. E foi o que fez. He-Man marcou (impedido demais, diga-se de passagem) e o tricolor continuou em cima da equipe rubro-negra.

Faltas, muitas faltas. E muitos cartões também. É como eu disse, foi um jogo sem muita técnica e com muito nervosismo. E um segundo tempo bem melhor do lado flamenguista. O Fluminense caiu de produção e Thiago Neves aproveitou para empatar. A decisão foi para os pênaltis.

No meu balanço foi um jogo que valeu a pena assistir. E claro, azar da equipe que deixa uma partida ir para os pênaltis contra o Flamengo (principalmente no Carioca). A camisa pesa, o adversário treme. E foi o que aconteceu.

O que deu errado?

Vamos começar falando do que deu errado, mas no fim das contas deu certo. Uma chuva de joelhos machucados. Ronaldinho Gaúcho apareceu (ou melhor, nem apareceu) com uma lesão no joelho esquerdo (deve ter se machucado jogando futevôlei, só pode). Léo Moura machucou o joelho direito logo no comecinho e Maldonado vai operar o joelho esquerdo (ufa!). As substituições poderiam ter sido um fiasco, mas os substitutos seguraram bem a barra.

No lugar do Ronaldinho Gaúcho, entrou Diego Maurício. E os rubro-negros agradeceram pelo R10 ter se machucado. O jogador esteve ativo durante todo o tempo. Tudo bem, errou muitos passes, mas converteu (com muito sangue frio e concentração) o pênalti da vitória.

E o Thiago Neves? Alguém lembra que ele já foi tricolor? Pois ontem ele marcou um gol no tempo normal, perdeu pênalti e no fim ainda dançou o Creu (coreografia que o próprio jogador fez num Fla-Flu em 2008, quando ele ainda defendia o tricolor). Se não tivesse perdido o pênalti seria o herói do jogo. E se o Flamengo tivesse perdido, seria crucificado por não ter convertido o pênalti (coisas do futebol...).

Welinton e Thiago Neves comemoram a vitória - Foto: Agência Estado

Outro grandioso foi o Willians. Na minha opinião, um dos únicos jogadores consistentes de fato na equipe do Flamengo. O cara é um gigante no desarme. Merece ser visto com olhos mais atentos em meio a uma equipe de estrelas. O goleiro Felipe foi decisivo. Fez boas defesas, jogou bem e nos pênaltis defendeu duas cobranças (eu não gosto do Felipe, não gosto do estilo de jogo dele, mas a gente tem que reconhecer quando o cara é bom).

No Fluminense, o meio campo não conseguia criar de forma alguma. Com isso, Fred e Rafael Moura ficavam sem ter o que fazer e tinham que voltar pra buscar o jogo. O He-Man foi mais perigoso. Deixou o gol dele, se movimentou, brigou (como sempre). Já o Fred fez aquele jogo meia boca. Muito parado, sem ter muito o que fazer, a única coisa que fez foi converter o primeiro pênalti do Fluminense.

Rafael Moura comemora o gol - Foto: Wallace Teixeira

O Conca (maestro do Fluminense, vamos combinar) não estava muito inspirado. Esteve bem, mas nada decisivo. E o Fluminense parece ser um time com muito fôlego (como foi contra o Argentinos Jr. pela Libertadores) apenas quando o Conca está inspiradíssimo. Digo e repito. Um time não pode depender só de um jogador, isso é muito perigoso.

Assim, o Flamengo enfrenta o Vasco na final da Taça Rio e pode ser campeão Carioca sem precisar dos jogos da final, já que venceu a Guanabara. Agora o Flu tem que focar na Libertadores. O Carioca já era. Mas depois da vitória heróica na última rodada da Libertadores, o tricolor tem mesmo que investir pesado na competição, pois dá para ir longe.

Torcida do Flamengo comemora a vitória debaixo de chuva - Foto: Site Fim de Jogo

terça-feira, 12 de abril de 2011

Bonde sem Freio

A noite era do Flamengo, não tinha jeito.
Em um clássico morno, a equipe rubro negra foi mais consistente, mais decidida (queria ganhar mais do que o Botafogo - como sempre), fez o tinha de fazer e carimbou o passaporte para a semifinal da Taça Rio.

Jogadores homenageiam as vítimas da escola de Realengo - Foto: Agência O Globo

O jogo foi repleto de passes errados (muitos, mas muitos mesmo!) e cartões amarelos (no fim do jogo o Botafogo recebeu três cartões amarelos em menos de 10 minutos - era o desespero tomando conta). Não foi digno de um clássico, não teve a paixão de um clássico, não teve a disputa que um clássico deve ter.

Mas, no fim das contas, um justo 2 a 0 para o Flamengo, que agora pode estar a 180 minutos de se sagrar campeão do Carioca. Será mesmo que o "Bonde sem Freio" do Mc Ronaldinho vai vingar?

O que deu errado?

Não acho que o Flamengo tenha ido muito bem em campo. Pelo contrário. O que desequilibrou foram as atuações de Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves. Enquanto o R10 deu bons passes e ditou o ritmo do jogo, Thiago Neves foi oportunista e quando teve chance colocou a bola dentro do gol. Aliás, Thiago Neves está mostrando que veio para ficar e ser um grande ídolo da torcida do Fla.

Abraço de Thiago Neves e Ronaldinho Gaúcho - Agência O Dia

Mas o que desequilibrou mesmo foi a péssima partida que o Botafogo fez. De doer os olhos. Todo mundo muito mal. A defesa, terrível. O Somália perdido, não marcou direito e errou até os passes curtinhos. Um meio de campo afobado, sem criação, sem propósito, sem idéias.
No time do Botafogo há apenas duas peças diferenciadas que eu nem preciso falar quem, né? (tá, mas vou falar mesmo assim - Jefferson e Loco). Se não fossem esses dois eu não sei o que seriam dos coitados dos botafoguenses. O Herrera até tenta, é super guerreiro. Mas é limitado tecnicamente, aí complica. Mas o Loco é de um posicionamento, de uma visão de jogo impressionantes. E o Jefferson nem precisa dizer, né? Se não tivesse ele todo jogo seria de goleada do time adversário.

Jefferson não teve culpa nos gols adversários - Foto: Agência Lance

O Botafogo não conseguia finalizar. Não conseguia acertar o último passe. Não acertava faltas laterais. Definitivamente não era o dia do Botafogo.

Reforços, essa é a palavra. E desse jeito mesmo, no plural. Se não chegar gente pra ajudar o time (e com urgência), o Botafogo não vai se dar bem em nenhuma competição.
E mais, o maior medo dos botafoguenses é de chegar o dia em que Jefferson e Abreu se cansarem de jogar numa equipe sem grandes perspectivas, com esse pensamento de time pequeno que sempre ronda o Glorioso.

Está na hora de grandes mudanças para o Bota ir pra frente.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A bola já não está mais com o Santos!

Ontem foi dia de clássico paulista. Santos e Palmeiras.
Olha, fui surpreendida. O jogo foi bom, nervoso, bem a cara de clássico mesmo.

A partida já começou quente. Disputa de bola, faltas, tensão, os times tentando pressionar e abrir o marcador no inicinho. Mas depois o ritmo foi diminuindo, os jogadores (dos dois lados, que fique bem claro!) começaram a errar passes, finalizações. Bem daquele jeito que a gente não gosta de ver (no meu caso eu gosto, porque dá pauta para o blog! rs).

No segundo tempo o jogo também foi brigado. Um pouco mais jogado, mas tiveram muitas faltas, muitos lances violentos. Deu uma boa melhorada. Arrisco até dizer que foi emocionante.

No fim das contas, 1 a 0 para o Verdão, um gol anulado para cada lado e um Santos saindo de campo com a sensação que algo está muito errado na Vila.

Kleber comemora gol da vitória - Foto: Agência Lance

O que deu errado?

O certo seria, "o que está dando errado". O Santos vem passando por uma fase bem complicada. Sem treinador (tudo bem, está com o interino - mas não é a mesma coisa para os jogadores), na expectativa da chegada de Muricy e na vontade de melhorar o futebol apresentado em campo. Com a contratação do Muricy eu tenho certeza que as coisas vão melhorar, mas um clube não pode depender apenas do treinador, né? Principalmente com um elenco como o do Santos.

E por falar em elenco, o Ganso já está em campo, mas não está se mostrando feliz no time da Baixada. Não mostra mais aquele prazer de antes, aquele futebol solto. O torcedor santista está aguardando, para ver se o Ganso volta a jogar como antes (o que eu tenho certeza que ele pode, só não está muito motivado).

Também vi muita catimba do Neymar. Que me desculpem os santistas. Tudo bem que ele levou algumas faltas duras mesmo, mas eu tenho um pouco preguiça do tanto que ele se joga, desse "cai cai" sem fim. Os árbitros já não dão tanto crédito.

Neymar reclama com o juiz Vinicius Furlan - Foto: Gazeta Press

O Peixe estava desfalcado. Jontahan, Arouca e Diogo não participaram do jogo porque estavam lesionados. Maikon Leite, que está sendo negociado com o Palmeiras, não esteve nem no banco.

Já a equipe do Palmeiras estava quase completa. A única ausência foi a de Valdívia, já que Danilo e Marcos Assunção voltaram ao time titular. Adriano Michael Jackson (rs...) não estava muito bem como nas últimas partidas e Felipão trocou o garoto por Luan.

Os dois atacantes principais dos dois lados estavam brigando por um resultado positivo. Neymar driblou, tentou, mas a bola não entrou. Kleber lutou, foi atrás, insistiu. E o que deu errado mesmo para o Santos foi a estrela do atacante do Verdão brilhar no fim da partida. O Gladiador marcou no finalzinho depois de receber um bonito passe do Patrik. 1 a 0, num jogo equilibrado, e o que fez a diferença foi o faro de gol de Kleber, faro esse que estava em falta no Neymar.

A torcida do Santos é que já está ficando impaciente. A derrota deixou o time da Vila em quarto lugar no Paulista, atrás dos maiores rivais. Fica a expectativa se o Muricy vai chegar, se o Ganso vai desencantar, se a equipe vai melhorar, se vai bem na fase final...

Torcida do Santos não está satisfeita com o time - Foto: Marcelo Ferrelli

O Santos não está com essa bola toda...

segunda-feira, 28 de março de 2011

"É falta na entrada da área, adivinha quem vai bater..."

O mundo realmente dá voltas! Meu último post sobre "o que deu errado" foi falando sobre a derrota do São Paulo para o Paulista e hoje venho comentar sobre o 2 a 1 do São Paulo no Corinthians. Com direito a quebra de jejum, gol 100 do Rogério Ceni e um gostinho de que "o campeão voltou".

Arena Barueri - Foto: Leo Pinheiro

No último domingo aconteceu o clássico mais esperado do estado de São Paulo. Eu estava na capital paulista e senti o quanto as pessoas respiram esse clássico. Só se falava nisso (ok, nisso e na ida do Adriano para o Corinthians).

Bom, eu confesso que no início do jogo não fiquei tão animada, achei bem morno. Mas, depois de um 2 a 1 bem feitinho como foi (e após 4 anos sem vencer o rival), tive a sensação de que o São Paulo voltou a ser o time que briga por títulos, que sempre está na ponta da tabela.

O que deu errado?

O time do Corinthians estava muito nervoso. Foram tantos passes errados, faltas violentas, finalizações mal feitas. O São Paulo também não estava bem no primeiro tempo, mas ainda assim se garantiu um pouco mais do que o rival, já que até chegou ao gol no fim da primeira metade do jogo.
No inicinho do segundo tempo até pareceu que o Corinthians iria melhorar um pouco, mas foi só impressão. Tecnicamente foi um jogo ruim, apesar de ter tido todo aquele nervosismo indispensável em um clássico.

A expulsão de dois jogadores alvinegros contribuiu no placar vantajoso para o São Paulo. Alessandro e Dentinho foram infantis, tentaram resolver na força e acabaram expulsos. Dentinho até marcou um gol, deixou o dele. Mas a expulsão complicou a situação do Corinthians. Dagoberto também levou o vermelho, mas com um a menos, o Timão não conseguiu se encontrar em campo, mesmo estando apenas um gol atrás no placar.

Dentinho no lance da expulsão - Foto: Terra

Liedson também não estava bem. No fim do jogo até pressionou e tentou empatar, mas não fez a diferença. Aquela tarde não era da equipe do Corinthians.

A tarde era de Rogério Ceni. O blog é "O que deu errado", mas eu não posso deixar de ressaltar o que deu certo no jogo de ontem. O que deu certo (e errado para o Corinthians) foi a partida inspirada de Ceni. No início do segundo tempo a Arena Barueri parou por alguns minutos. Falta na entrada da áera. Os torcedores prenderam a respiração quando viram Ceni em direção à bola. Pois não é que ele bateu e marcou seu gol 100? O estádio foi abaixo. Em São Paulo só se ouviam foguetes, gritos na Paulista. Merecido. Para coroar uma carreira correta, sem grandes sobressaltos, mas muitas conquistas.

Rogério Ceni comemora gol 100 - Foto: Vipcomm

O que deu errado para o Corinthians é que na verdade o clássico era do Ceni.

Mas isso não quer dizer nada no Paulistão. Corinthians continua na briga, Palmeiras também e o São Paulo já confirmou que "o campeão voltou". Precisa falar que os próximos jogos do campeonato serão imperdíveis?

quinta-feira, 24 de março de 2011

Uma noite atípica para o São Paulo

Na rodada da noite de ontem a maioria dos resultados já eram esperados, mas um em especial me chamou a atenção: Paulista 3, São Paulo 2. Enquanto estava vendo o jogo, me lembrei que nunca escrevi sobre o São Paulo no blog. Provavelmente porque o tricolor paulista é uma equipe muito consistente, que sempre está bem. Em algumas épocas o time está ótimo, em outras está bem; mas é raro estar numa situação ruim.

Diante disso, me deu vontade de falar sobre o jogo de ontem. A partida poderia ter adiantado a classificação para as oitavas do Paulistão, e ainda poderia ser o gol 99 de Rogério Ceni. Mas o que mudou o rumo do jogo mesmo foi o gol do Paulista com menos de dois minutos.

Com a derrota, o São Paulo deixou de ser líder e ainda caiu para a terceira posição.

Fernandinho lamenta chance perdida - Foto: Vipcomm

O que deu errado?

A defesa, que era (não serei injusta, ainda é) um dos trunfos do São Paulo, deixou o time na mão. Logo nos primeiros minutos gol do Paulista e, na minha opinião, falha do Rogério. O goleiro, aliás, não esteve muito bem durante o jogo. Achei ele inseguro, algo que ele não costuma ser. Além disso, o lado esquerdo estava muito defasado, as bolas estavam passando todas por ali, Juan e Miranda pareciam desligados.

Mas o São Paulo tentou correr atrás do prejuízo. Foi pra cima, tentou, armou boas jogadas, mas o ataque tricolor não estava tão eficiente quanto nas outras partidas. E também faltou sorte em algumas finalizações.

Rogério Ceni (mesmo tendo dado umas falhadinhas básicas em dois dos três gols do Paulista) conseguiu marcar seu 99º gol. Bem no início do segundo tempo, pênalti para o São Paulo. Ceni cobrou e marcou.

Ceni marca seu 99º gol - Foto: Wander Roberto

Mas o São Paulo não esteve bem. Carpegiani ainda tentou reorganizar sua equipe. Tirou o Casemiro (que vinha bem, mas ontem não fez nada), colocou o Ilsinho e deslocou Jean para o meio. No segundo tempo tirou Juan e colocou Henrique. Poderia até ter funcionado, mas não funcionou. Ontem não era mesmo a noite do São Paulo.

A ausência de Lucas no time também pesou muito. O jogador, convocado pela seleção brasileira, tem sido o diferencial da equipe do São Paulo. Eu particularmente tenho um pouco de receio de ter um jogador referencial dentro de um time. Pois quando esse atleta não pode jogar (seja por convocação, lesão, ou qualquer outra coisa) a equipe fica sem rumo e não consegue render. O São Paulo tem que reaprender a vencer sem o Lucas. Além dele, o time também estava sem Rhodolfo, outro forte referencial da equipe. O zagueiro tem sido considerado o amuleto do São Paulo, já que está invicto desde que o jogador entrou na equipe, há oito rodadas.

Jogadores do Paulista comemoram vitória - Foto: Futura Press

O próximo jogo do São Paulo é contra o Corinthians, que venceu ontem e assumiu a liderança do Paulistão. Mas sabe mesmo o que eu acho? Quando se trata de São Paulo, a equipe sempre pode surpreender. Um time que sempre é forte, brigador e vai entrar no clássico de igual pra igual.

segunda-feira, 14 de março de 2011

A bruxa está solta nas Laranjeiras

Eu não gosto de falar do mesmo time duas vezes seguidas, mas não tem jeito. O tema de hoje vai ter que ser o Fluminense de novo.
A equipe carioca vive uma fase muito delicada, justamente no ano após ser campeã brasileira.

Ontem, o Flu enfrentou o Fla no clássico mais badalado do Rio. Em campo os dois últimos campeõs brasileiros. Mas o placar foi um 0 a 0 sem graça, que não fez jus às equipes.

Torcedor se veste de morte para assistir o clássico - Foto: Júlio César Guimarães

Além disso, o Flu terminou a noite com a notícia de que Muricy estava indo embora.
É, ontem não foi o dia do tricolor carioca.

O que deu errado?

Vamos começar falando do 0 a 0 com o Flamengo, depois a gente fala sobre o Muricy.

No clássico, o Fluminense até começou dominando. Já no inicinho o Conca conseguiu uma boa jogada. O Flamengo deu aquela segurada no jogo e até apareceu um pouco. Mas depois disso, o que se viu foi uma chuva de erros de passes e muitas faltas duras.

Conca jogou bem. Está voltando à sua forma. Ronaldinho também. Teve uma atuação boa. Mas o resto das duas equipes estava parado. Nervosos, cansados do Carnaval, tristes com a tragédia no Japão, sei lá. O jogo não fluiu, não aconteceu. O Fluminense tentava, mas não ia. Levava perigo ao gol de Felipe às vezes, mas só. O Flamengo também deu uma tentadinha e só. Mas poxa, 25 mil torcedores na arquibancada e os times não fazem nada? É triste, né?

Ronaldinho e Conca disputam lance - Foto: Uol

Para o Flamengo o 0 a 0 foi até um bom negócio. Continua líder do Grupo A. Já o Flu perdeu a liderança, além de ter perdido também o treinador.

Qual a opinião de vocês sobre a saída do Muricy? Eu confesso que não entendi muito, ainda mais vindo dele, que é um cara que não é de quebrar contratos. Vamos tentar entender juntos.

Muricy foi para o Flu com um contrato milionário (padrão Unimed de patrocínio). O convidaram para ser técnico da seleção e ele não aceitou (na minha visão a Unimed $$$ não "deixou" - ele não ia trocar o mega salário dele por um menor). Tudo bem, fez bem, continuou comandando o time e ganhou o Brasileirão com louvores, com um time muito redondinho e bem armado.

Muricy disse que os dois objetivos firmados com a diretoria das Laranjeiras eram conquistar o Campeonato Brasileiro e melhorar as condições de trabalho no clube. O primeiro item, ok. Já o segundo, o técnico falou que não conseguiu. Dessa forma, como não cumpriu o combinado, preferiu deixar a equipe.

Muricy Ramalho após anunciar saída do Fluminense - Foto: Agência O Globo

Muricy disse que os jogadores se machucam muito nos treinos porque o gramado é ruim. Bom, isso vem desde o ano passado, né? Vocês se lembram que alguns jogadores cariocas reclamaram muito do gramado do Engenhão? Pois o vilão não era o Engenhão, certo?
Enfim, diante de más condições de trabalho, Muricy pediu pra sair.

Não foi um ato de covardia, de abandonar o barco. Muricy não é covarde. Mas foi uma atitude que nos surpreendeu, e mais ainda aos jogadores e comissão técnica do Fluminense, que agora, além de todos os outros problemas, tem mais um abacaxi na mão.